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A reportagem do UOL Notícias acompanhou as suspensões que aconteceram no clube Inferno dentro programação da feira Frrrkcon (convenção dos freak, termo em inglês para os "esquisitões"). O rapaz era pendurado no alto da pista de dança. Parecia que ele fazia parte do sistema de iluminação, postado ao lado do globo espelhado e do estrobo.
Ao som de "Young Folks", do grupo sueco Peter, Bjorn & John, um garoto se balançava pelo ar. As costas tinham quatro anzóis fincados e quatro filetes de sangue escorrendo. Uma garota se agarrava de suas pernas. "Nossa é indescritível. É uma coisa louca, muito boa", define Renan Teixeira, depois de sua oitava suspensão. O resto da noite ele ostenta gaze e esparadrapo para conter as feridas.
Entretanto, o mais bizarro da noite ainda estava por vir. Pegue os comedores de gilete que se apresentam nas ruas e some uma atração de show de aberrações: isso dá Freak Garcia. Vestido de boneca e maquiado como Coringa de Heath Ledger, esfola seu corpo de todas as formas possíveis levando sua dor e o sangue frio do público ao limite.
Ele grampeia dólares falsos na pele. Enfia uma furadeira no nariz. Senta num banco de faquir, cheio de pregos. Pendura de um piercing genital um cacho de bonecas. Balança dois despertadores a partir de uma corrente cravada nas pálpebras. Tudo isso ao som de temas de desenhos animados, músicas clássicas e canções do Pink Floyd.
Os verdadeiros modificados não querem virar atração. Não querem virar um exibição. Na verdade, sua exposição acaba sendo motivo de muito preconceito. Tem muita gente mal-criada na rua que me chama de diabo. Eu passo, e elas falam `credo´. Acham que não tem eu não tenho audição", conta Thiago sobre como é desfilar com dois pares de chifres na cabeça. Ele não se conforma que a sociedade que valoriza seios turbinados de silicone não aceita qualquer outro tipo de implante.
André concorda com ele. "No Brasil, ainda há muito preconceito. Lá fora o povo aceita melhor. Aqui, o mercado de trabalho não aceita que tem modificações", reclama. Thiago é prova disso. Depois de portar chifres, não conseguiu mais emprego de técnico em enfermagem.
A maioria na convenção de modificados trabalha com estúdios de tatuagem. Seus corpos são com um show-room para os clientes. "Não faço nada em alguém que eu já não tenha feito comigo. O experimento é em si mesmo", confirma Nelson.
































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